Julianne Nash

Manipulações digitais florais e atemporais que questionam o olhar, a percepção visual e enriquecem o trabalho de Julianne Nash como um todo. A degradação da visão no corpo humano conforme o tempo passa não significa uma dificuldade mas sim abre portas para uma exploração minuciosa e investigativa por parte da artista.

nash 008

Sua pesquisa gira em torno da percepção visual que o corpo humano pode ter e aquilo que pode ser conseguido esteticamente através da manipulação de algoritmos computacionais. Julianne Nash tem o interesse de desafiar as barreiras impostas pelo corpo humano criando um trabalho plástico que se relaciona com a disparidade entre a máquina e o organismo humano.

O uso de uma linguagem visual popular e conhecida, a artista procura desafiar o olhar e a compreensão do espectador manipulando suas criações até o ponto em que estas possam ser confundidas com a plasticidade de outro meio de comunicação. A fotografia tem como essência a indexabilidade que a torna ainda mais interessante. Este meio tem o poder de transcender e fazer transcender o espectador pela facilidade manipulativa que oferece.

Julianne Nash tem a propensão de sofrer de algum tipo de disfunção visual e este fato a levou a pesquisar mais a fundo sobre a linguagem visual algorítmica, procurando obter o máximo de informações possíveis que a ajudem a entender como funcionam o mecanismo visual de um organismo vivo e a maneira que as máquinas fazem enxergar.

A mistura de motivos e facetas orgânicas manipuladas digitalmente não é só uma questão de escolha e sim uma área de interesse pessoal que é foco de estudos profundos. As manipulações digitais são feitas com a intenção de produzirem um tipo de reação para os espectadores e não são um fim em si mesmas. A dualidade entre o orgânico e o robótico são colocados a prova através do processo artístico de Julianne Nash.

As flores são uma forma de lembrar de seu avô que não está mais entre nós. Sua avó costuma levar flores até sua jazida como forma de dizer que ainda o ama. Retratar as flores aconteceu de maneira natural. Este motivo para sua divagação artística caiu como uma luva para agregar valor e conteúdo ao seu processo de investigação plástica.

A abstração que a artista procura transcende a própria fotografia e coloca frente a frente as duas faces da mesma moeda. Aquilo que a fotografia procurou retratar agora é percebido como aquilo que não pode ser retratado, desafiando o olhar, tão necessário para aqueles que necessitam desfrutar das maravilhas da arte.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *